Setembro 29, 2007

Manipulação de Informação

                                     

                                      midia

Em um país onde o índice de analfabetismo demonstra que ainda existem 26,19 milhões de pessoas que não sabem ler ou escrever, seria de fundamental importância que os meios de comunicação de massa (televisão, radio, jornais) agissem como apoio e propagadores de informações sérias e responsáveis, além de divulgadores da cultura, estimulando não somente jovens, mas adultos e velhos a participarem de programas de ensino. E também divulgando informações e noticias de importância relevante ao povo brasileiro, sem que, esta antes tenha sofrido interferência de interesses alheios.

   Onde falta uma visão e consciência critica a população carente de educação, é exatamente onde a mídia esparrama seus tentáculos transmitindo crenças e valores que acabam sendo adotados e passam a ser divulgados por seus telespectadores. A partir daí, a mídia deixa de ser uma ferramenta de  transmissão de conhecimento para se tornar um instrumento de alienação e massificação, tornando as idéias de todo uma população uniforme, de forma que esta não irá discutir ou indagar sobre aquilo que está sendo passado a ela, pois a conseqüência disso é a formação de opiniões e atitudes que estariam sendo previstas pela mídia desde o inicio.

    Grupos detentores de poderes políticos e econômicos, cuja todas as ações tem como objetivo a acumulação de capital, são os que mais se utilizam das artimanhas da manipulação de informação. Levando-se em conta o contexto e a ideologia vigente em determinada sociedade, não se inventa, mas se seleta um determinado numero de reportagens e conhecimentos que podem ou não chegar às mãos do homem comum. Revelando, porém encobrindo a  parte escandalosa ou caótica da informação, formamos uma espécie de pauta que o raciocínio da sociedade deve seguir, discutindo e restringindo seu pensamento crítico as propostas midiáticas.

             É nos deixado então algo com o que pensar, talvez reavaliar a estrutura do modelo vigente de comunicação social. Possibilitando a democratização da informação, armando o povo com um espírito crítico capaz de formar uma sociedade participativa.  A mídia poderia ajudar em duas direções principais, na democratização da informação, tanto nos processos de sua utilização como de produção, pois o exercício da cidadania depende do conhecimento de seus direitos e deveres, modos de efetivar e de abordas autoridades e empresas, via de acesso à produção e ao conhecimento, pois em geral a população é extremamente desinformada, e é claro que isso interessa e muito ao sistema: empregadas domésticas que não têm qualquer noção de seus direitos, acidentados do trabalho que não sabem como proceder, aposentados que desconhecem os trâmites de seus benefícios, consumidores prejudicados que permanecem calados. E promovendo a formação do cidadão com acesso a cultura, com o intuito de impulsionar a consciência critica do cidadão. 

Setembro 29, 2007

BlogCamp 2007

BlogCamp        O primeiro BlogCamp Brasil aconteceu em 2007 em São Paulo durante os dias 25 e 26 de agosto na casa gafanhoto, e trouxe como tema principal de debate “ o atual papel dos blogs como gerador de conteúdo e fonte de informação, em contraposição à visão dos diarios virtuais”. A data foi escolhida devido ao BlogDay, que foi instituído como sendo no dia 31 de agosto, devido a grafia parecida entre a data(3108) e a própria palavra Blog.Cerca de 150 pessoas estiveram presentes nos dois dias, incluindo bloggers, jornalistas, profissionais de mídia e publicidade. Vários debates foram construídos, desde como gerar audiência até ética e responsabilidade, passando pelos já esperados “rentabilização e “polêmica do estadão”.
         O BlogCamp segue o modelo de “desconferência” já consagrado pelo BarCamp: reunir gente interessada em blogs, disposta a trocar experiências e colaborar. O evento é organizado informalmente, enquanto acontece, sem ter uma programação fechada ou palestrantes definidos – são os próprios participantes que decidem a grade de discussões no começo de cada dia.

Porém as conquistas não param por ai. Os blogueiros estão fazendo contatos importantes, sendo contratados por portais, jornais, revistas, chamados para palestras e encontros, tendo seu conhecimento empregado em blogs corporativos, e isto é só o inicio. Os bloggers não são apenas pessoas desconhecidas, existem também escritores, roteiristas, jornalistas  e quem sabe, futuros profissionais destas áreas que irão crescer financeiramente tendo como atividade principal os blogs.
           Os blogs são o principal representante do tal Consumer Generated Content – Conteúdo Gerado pelo Consumidor – mas ainda precisamos superar um grande obstáculo: conquistar leitores, formá-los, aumentar a quantidade de pessoas que lêem blogs. Como fazer isso é um dos questionamentos levantados. A melhor resposta é continuar escrevendo conteúdo relevante e de qualidade. Escrever cada vez mais e melhor, assuntos que são do interesse de seu público.

Abaixo seguem os assuntos discutidos no BlogCamp 2007.

-Blogs são diários virtuais?
- Rentabilização em blogs
- Posicionamento dos blogs em relação à midia tradicional
- Furos de notícias por blogs
- Blogs como ferramentas de acesso ao público
- Promoções e Concursos em Blogs
- Como anda a conversação nos blogs brasileiros
- Blogs como negócio. O quanto você investe no seu?
- Blogs coletivos. Isso funciona?
- Quando deixa de ser blog e vira site?
- Probloggers vs Funbloggers
- Programas afiliados. Você é fiel?
- Memes, Tags e Buzz
- Artigos patrocinados. Deixar claro?
- Blogs como ferramentas de socialização.
- Feeds. Você usa/incentiva?
- Desmistificando os Trackbacks e pingabacks
 

Setembro 29, 2007

Tecnologia como uma forma de integração

                        Tecnologia      

            Os seres humanos, dotados de extraordinária inteligência, têm buscado formas, durante toda a sua história, para vencer os obstáculos impostos pela natureza. Desta maneira, foi desenvolvendo e inventando instrumentos tecnológicos com o propósito de ultrapassar seus obstáculos. Podemos dizer que a necessidade é a “mãe” das maiores e mais surpreendentes invenções tecnológicas.

            Desde 1705, quando Thomas Newcomen inventou o primeiro motor a vapor, muita coisa aconteceu, porém, sempre com o intuito de transpor limites, superar dificuldades, sejam estas impostas pela natureza ou até mesmo as que se fizeram necessárias para o próprio conforto das pessoas.

             Às vezes os indivíduos não se dão conta do quanto essas tecnologias estão presentes em suas vidas e não têm idéia da tamanha importância que essas mesmas ocupam em seu dia-a dia. Em 1793, quando Claude Chappe idealizou o Telégrafo, certamente ele não imaginava que algum tempo depois estaria Alexander Graham Bell patenteando o telefone. Não saberia também Narinder Singh Kapany, que sua fibra ótica descoberta em 1955 teria um lugar tão importante hoje com a Internet e os meios de comunicação.A Internet, criada por Michael Dertouzos, que primeiramente tinha como finalidade o uso militar para possibilitar a sobrevivência das redes de comunicação e a segurança das informações em caso de um ataque nuclear, só foi adaptada para o uso doméstico e empresarial em 1993, mesmo assim, pode-se dizer que ela estaria começando novamente neste ano pelo fato de que foi completamente reestruturada. Mesmo assim, quando começou a aperfeiçoar-se naquele ano, seus idealizadores não imaginavam que em tão pouco tempo ela seria amplamente utilizada para interagir pessoas, encurtar distâncias e tão pouco que tornaria-se um mercado virtual que movimentaria milhões de dólares anualmente em todo o planeta. Poderia-se caracterizá-la como um marco na tecnologia, porém, não desprezando, claro, os outros avanços e novidades que foram vitais para o funcionamento e a manutenção de outras tecnologias que se aperfeiçoaram ou até, em muitas das vezes, foram inspiradas nos conceitos inovadores dessas primeiras. 

           Pode dizer-se que uma vez inserido a esse meio repleto de utilidades e conveniências, o indivíduo jamais conseguirá abdicar-se de tais apetrechos. A tecnologia não pode ser rotulada com um olhar simplesmente pessoal, do conforto e da conveniência. Na medicina, por exemplo, desde a descoberta dos Raios-X por Wilhelm Conrad Röntgen em 1895, a invenção e o aprimoramento das técnicas já salvaram inúmeras vidas de doenças e males que talvez sem a técnica disponível não pudessem ser curados ou então amenizados.

            A Tecnologia certamente continuará evoluindo-se e suprindo as necessidades pessoais e fundamentais dos humanos, todavia, deve-se levar em conta o fator ambiental envolvido. O desenvolvimento de novas técnicas preestabelece a extração de ainda mais recursos e a produção de ainda mais poluição. O que se deve passar a observar é o fator inicial de todo o processo. O Meio ambiente, as suas dificuldades naturais. Não pode o homem preocupar-se somente com sua conveniência e bem estar diante às dificuldades naturais impostas pela natureza e esquecer-se justamente desta mesma, extraindo seus recursos, devastando de forma exacerbada deixando e de lado as suas respectivas necessidades. Deve-se aprimorar as técnicas não apenas para o bem-estar do homem, mas também ao meio natural em que vivemos para que tecnologia e meio ambiente possam caminhar juntos de forma equilibrada, agradável e natural à todos.

Setembro 28, 2007

V de Vingança (V for Vendetta)

        V1 

Você quer um filme com uma boa dose de ficção e realidade? Então procure por V de Vingança, que com essa formula, mostra a que veio. O filme não quer somente entreter pessoas, mas fazer com que o espectador crie pontes entre o mundo imaginário e o mundo real. James McTeigue, diretor, transformou brilhantemente em “realidade”, o grande roteiro que recebeu de Andy e Larry Wachowski, da trilogia Matrix, inspirado nas HQs de Alan Moore.

          O filme mostra a história de “V”, o líder de uma revolução que busca trazer justiça e liberdade a qualquer preço para a Inglaterra. O ator, Hugo Weaving, está brilhante, pois consegue transmitir todas as sensações que o personagem pede, mesmo usando uma máscara em todo o decorrer do filme. Ele trabalha tão bem, que a partir de certo momento do filme a curiosidade de saber qual o rosto do personagem já não existe mais. Excelente trabalho do Weaving, que através dos gestos e voz, não só convence como impressiona o público (não deixando de lado o mérito pelo trabalho dos iluminadores, que com os jogos de luz moldavam “feições” para a máscara).

            Junto com Weaving, ninguém mais, ninguém menos que Natalie Portman, atriz israelense que a cada filme mostra ser uma das melhores de sua geração. Em “V de Vingança”, ela segue a trama do ponto de vista da cumplicidade. Ela tem uma forte ligação com V, sente que, com ele, a última esperança de mudar o mundo ainda pode ser realizada. 

           O filme não mostra apenas as pretensões pessoais de vingança, ele faz uma relação governo-sociedade de forma esplêndida. Sutilmente, ele explora a realidade do mundo como a ameaça de um ataque com armas biológicas; espalha o terror através de uma epidemia e, o mais evidente, a explosão de prédios pelo terrorista. 

           O ponto chave do filme é o medo. O medo em cada momento do filme, representado por cada um dos personagens. O medo de que o mundo continue a mesma coisa, medo dessa mudança que pode acontecer. Medo de saber que toda ação tem uma reação. Medo de saber que a manipulação do governo é inspirada justamente no medo. Se parar pra pensar, é fácil ver a grande analogia que existe no filme entre o Chanceler, que usa e abusa do medo para o povo pensar que precisa de seu governo, com Bush, que joga um medo na sociedade americana para justificar seus atos. 

           Na minha opinião um dos melhores filmes que assisti em 2006.

V2

Setembro 28, 2007

Laranja Mecânica

L1      Saturada desses modelos atuais de suspense, comecei a recorrer a grandes sucessos, antigos com o intuito de ver algo realmente surpreendente.Foi nessa procura que achei o nome Stanley Kubricks. Por só agora o ter “conhecido” pude conferir apenas dois de seus filmes.Primeiro assisti “O Iluminado”. Esse filme tem um formato de roteiro que jamais vi: é inteligente, intrigante e único. É um clássico difícil de ser esquecido.

      Logo depois veio “Laranja Mecânica”. Confesso que prefiro o primeiro, mas este não deixa de ser uma ótima opção.

      Datado nos anos 70, é de se impressionar a visão futurística de Kubricks, se tratando de um filme bem antigo. Tirando a imagem, que condena a época do filme, poderia dizer que o filme não passa de uma produção atual. O cenário vem com um design que vai além do nosso tempo. E com praticamente 0 de efeitos especiais a história consegue prender o telespectador todo o decorrer do filme.A trilha sonora é levada pela Sinfonia de Beethovem. Que pode parecer contraditório, uma música clássica em um thriller querendo se mostrar futurista, mas casou-se em perfeita harmonia. Malcolm McDowell ator do personagem principal, Alex que é o líder de uma gangue de delinqüentes que tem como diversão matar, torturar e estuprar inocentes. Surpreendentemente seus “amigos” o entrega para policia, pois estão insatisfeitos com seus atos e seu autoritarismo.

      O personagem, não tem como negar seus crimes diante as autoridades e é condenado a alguns anos na prisão.Assim que vai para prisão, Alex fica sabendo sobre um tratamento revolucionário que fazia com que o tempo de prisão se reduzisse para alguns dias apenas. Ele logo achou caminhos para ser o escolhido e ser submetido a tal processo. Se ele soubesse qual seria a experiência provavelmente teria optado por ficar a vida inteira na cadeia.Bom, esse processo era uma espécie de tratamento de choque. O preso seria através de violência iria começar a se repugnar quando visse alguma cena de maldade explícita, e assim, se afastaria delas.

      Seria ele um cidadão exemplar: moldado e manipulado.O governo tinha forte interesse no sucesso dessa experiência, contando com a recuperação de Alex que deixa de ser um humano e passa a ser um objeto para campanha política.O que eles não esperavam era que Alex iria se transformar em um cidadão completamente vulnerável e despreparado para a vida.Nesse contexto, Stanley Kubricks, deixa uma porta aberta pra pensarmos sobre os dias de hoje. O sistema judicial existente, principalmente em países subdesenvolvidos ou os chamados “em desenvolvimento”, como o Brasil. Pode ser que esse nosso sistema esteja aplicando de forma lenta e gradativa esse mesmo processo do filme. E é evidente que um deliquente não se deixa de ser o que é por passar alguns dias atrás das grades.

      Talvez já é hora de reformular esse processo de punição, trazendo sistemas mais inteligentes que sejam mais eficientes no combate a violência.

      Quanto ao filme, é uma obra prima, um clássico.

       Um filme completo!

Setembro 27, 2007

O Blog como nova ferramenta de comunicação

      Nas últimas décadas, o rádio e a TV foram os meios de comunicação que mais se expandiram, proporcionando ao público novas oportunidades e, conseqüentemente, dando o passo mais importante na industrialização da cultura. Por essa razão, as últimas décadas – mais precisamente, o período de 1950 a 1990 foi decisivo na história da comunicação, sendo, por isso, consagrado como a Era da TV e do Rádio.

      No entanto, a partir dos anos 90, uma nova promessa de comunicação, até então revolucionária, era gradativamente implantada, chegando a atingir índices altíssimos de crescimento em menos de 20 anos. A Internet então começava a se sobressair entre a TV e o rádio. Contrariamente a estes últimos, a rede mundial de computadores prometeu – e cumpriu – ser o meio mais democrático dentre todos os outros, uma mídia democrática, onde todos participariam: seja escolhendo o conteúdo que realmente interessa; desfrutando dos recursos de imagem, som e interatividade, juntos num só lugar; ou, principalmente, permitindo ao usuário atuar não só como receptor, mas como emissor, recurso nunca disponibilizado pelas mídias precedentes.

      Neste contexto de interatividade e de democracia, onde cada um pode ser fonte de informação, começaram a surgir pequenas manifestações de autonomia, deixando que um novo modelo de comunicação emergisse dentre tantos outros: os blogs, ou “diários virtuais”.

     A definição clássica do termo blog afirma-o como um diário virtual, mantido por qualquer internauta. A palavra parece ter surgido pela primeira vez em 1997, quando John Barger chamou seu diário pessoal na rede de “weblog”, algo como “registro na web”. Em 1999, outro navegante resolveu fazer uma brincadeira: quebrou o termo em dois, para gerar o trocadilho “we blog”, ou “nós ‘blogamos’“. Desde então, o termo tornou-se sinônimo de qualquer diário ou registro mantido na Internet e abalou profundamente a tradição do sigilo mantido em diários manuscritos.O que antes era secreto, se transformou em manifestações públicas e, na maioria das vezes, coletiva. Um se interliga ao outro, um faz referências ao outro, formando uma rede tão extensa quanto a própria Internet. Essa multidão de blogs interligando-se, ficou então denominada como “blogosfera”.

      O tamanho desta rede tomou dimensões assustadoras: são mais de 40 milhões de páginas pessoais espalhadas pelo mundo e, a cada dia, mais 75 mil novos diários são criados, o que resulta numa média aproximada de um novo blog por segundo.Segundo o Pew Internet & American Life Project, instituição americana que estuda o impacto da Internet, 57 milhões de internautas americanos acessam páginas pessoais ao menos uma vez por dia. Estas páginas recebem cerca de 1,2 milhão de novos conteúdos diariamente. No Brasil, cerca de 25% dos 20 milhões de internautas lêem blogs todos os dias.           

      Por ser uma mídia de livre acesso, o blog tende a se democratizar cada vez mais, possibilitando que qualquer pessoa com acesso a Internet seja capaz de publicar suas idéias na web. A acessibilidade e a liberdade de expressão são pontos fortes dessa mídia, que continua conquistando milhares de adeptos a cada dia que passa. Entre diversos fatores que desencadeiam a simpatia do público, o principal deles é a possibilidade de se tornar um autor e ter seus quinze minutos de fama, o que não é permitido em TV’s, rádios ou revistas.           

      O que o público procura hoje em dia é entretenimento aliado à interatividade, recurso que só pode ser oferecido pela Internet, ou de forma mais específica, pelos blogs. A estimativa é que até o fim deste ano, sejam criados cerca de 100 milhões de novas páginas.

      Mas os avanços não se resumem num mero índice de adesões aos blogs, mas na fidelização dos usuários, que acabam se tornando “maníacos”, assegurando a atualização de suas páginas pelo uma vez a cada semana. Segundo a Gartner, empresa de consultoria, a blogosfera pode atingir o seu ápice ainda este ano, estendendo seus domínios também para empresas de renome no mercado. Alguns investidores já anunciaram que utilizarão seus dólares em iniciativas centradas na “web social”, o novo modelo de internet que abrange as novas formas de relacionamento virtual, enfatizando principalmente, os diários pessoais.           

      Embora a blogosfera tenha crescido consideravelmente nos últimos anos, a credibilidade de quem “posta” ainda é freqüentemente questionada. Um exemplo disso é o “Estadão”, importante jornal de São Paulo, que chama a massa blogueira de “macacos sem opinião” e afirmam que somente jornalistas profissionais podem ter credibilidade. Mas se por um lado existe discriminação, por outro, há gigantes que reconheçam os blogueiros devidamente: a CIA Norte-Americana e a NASA já os consideram como jornalistas e, inclusive, têm direito a tratamento especial e credenciais de imprensa.           

      Com conteúdos que abordam desde política até pornografia barata, os blogs também funcionam como um importante agente multiplicador de idéias e correntes de pensamento, uma vez que abusam da liberdade de expressão para se posicionar sobre assuntos polêmicos. Preferências partidárias, sensacionalismo, críticas e sugestões são freqüentemente observados nas inúmeras páginas de conteúdo “sério”.

      Um forte exemplo disso pôde ser constatado na ocasião da renúncia do senador Antônio Carlos Magalhães, vulgo “ACM” em julho de 2001: o “blogueiro” Sérgio Faria afirmou que o discurso do político era plagiado e apropriado daquele proferido por Afonso Arinos, também renunciando, em 1954. Depois de mostrar a apropriação, ele citou links que comprovaram o plágio, polemizando ainda mais a notícia e fazendo-a perdurar por longas semanas. O “post” de Sérgio para o “Catarro Verde” foi tão estrondoso que chegou a ser apresentado em um programa de TV, no qual o apresentador Marcelo Tas citou os blogs como “ferramentas indispensáveis para a expansão dos meios de difusão de notícias e para a democratização dos meios de comunicação.”           

      Além disso, os blogs atuam também na área educacional, sendo ferramentas indispensáveis para a publicação de idéias. Por ser um material de potencial diferente e até mesmo inusitado, o blog acaba por implantar uma nova proposta pedagógica. É uma estratégia que dá voz ativa ao aluno e implica em reflexão e crítica ao escrever, elementos fundamentais no processo de aprendizagem.

     A utilização de blogs na educação possibilita o enriquecimento das aulas e projetos através da publicação e interação de idéias na Internet. Basta adequá-los aos objetivos educacionais, para que o conhecimento seja construído através dos recursos informáticos e das capacidades individuais, criando um ambiente favorável para a aprendizagem.

      Em Divinópolis, a aliança entre sala de aula e blog rendeu mais do que uma simples página na Internet: dois alunos do curso de Comunicação criaram o Incêndio Acidental, uma mistura entre jornalismo, crítica e ombudsman, que vem conquistando cada vez mais leitores. Segundo os estudantes Pablo Pamplona e Marcelo de Freitas, criadores do blog, apesar da proposta relativamente nova, a pretensão da página é clássica: “mobilização e conscientização popular”. O conteúdo do “Incêndio” pode ser conferido no endereço http://incendioacidental.blogspot.com, onde são encontrados detalhes sobre a vida dos estudantes e matérias um tanto quanto “provocantes” em toda a área do blog.          

      Por fim, pode-se então afirmar, que mesmo com a credibilidade dos blogueiros sendo constantemente posta à prova, o crescimento da blogosfera será inevitável nos próximos anos. Conseqüentemente, aqueles que mantêm um blog com finalidades específicas – caso do Incêndio Acidental – contarão cada dia mais com o devido espaço e reconhecimento, não como jornalistas, mas como os “repórteres não-remunerados” do cotidiano.