Junho 26, 2009...4:07 am

Faculdade Pitágoras – O futuro é realmente logo aqui?

Ir aos comentários

Boa noite.

Em nome dos alunos do curso de Comunicação Social da Faculdade Pitágoras, embora não seja o representante oficial de minha turma, tampouco do curso, quero expressar minha indignação com a (des)organização de tal faculdade. Apesar de basear-me em minhas experiências pessoais para redigir este texto, todas as observações aqui contidas são comuns a todos os estudantes dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, que partilham da mesma frustração decorrente do descaso da instituição para com a parte que a sustenta: os alunos.

Desde a incorporação da extinta FADOM (a qual nunca obtivera tão altos índices de insatisfação por parte de alunos e professores) pela gigante Pitágoras, os alunos de Comunicação Social vêm sofrendo com a deterioração do curso, com o descaso da direção pela infraestrutura precária com a qual temos que arrastar desidiosamente nossos estudos, bem como com os poucos benefícios que temos em relação à alta mensalidade que pagamos.

Escrevo-lhes, não cobrando soluções, pois, como já presenciamos inúmeras vezes, todas as tentativas amigáveis não frutificaram em absolutamente nada. Quero apenas enumerar alguns pontos negativos, que fazem com que tenhamos péssimas impressões sobre a Faculdade Pitágoras.

Antes, digo que minha revolta culminou com a restrição do empréstimo de um determinado volume da biblioteca Dr. Arthur Braga, pelo fato de que “o tema do livro é incompatível com a área do seu curso” – nas palavras da atendente. Ora, o simples fato de não podermos usufruir do parco acervo de tal biblioteca já constituiria um absurdo para qualquer instituição de ensino. Entretanto, o fato de que pagamos uma das mensalidades mais caras da faculdade, acompanhada de uma taxa de R$15,00 no ato da habilitação da Identidade Estudantil (que é outro absurdo) para podermos usufruir de todos os volumes contidos nas estantes (caindo aos pedaços), durante todo o período do curso e mesmo, dois anos após a conclusão, fazem com que esta restrição seja repugnante, execrável. Faço um curso precário de Publicidade numa escola que faz questão de se mostrar como a melhor da região e me proíbe de locar um livro de Contabilidade. Apesar do esforço de alguns professores em nos formar com uma boa base teórica, sabemos que sem infraestrutura isso é impossível e que, por isso, cabe ao (bom) aluno buscar por outros meios o que a faculdade não pode lhe fornecer. Quando isso ocorre, o aluno é impedido de buscar conhecimento adicional e, no meu caso, sou obrigado a interromper a leitura de um livro que já estava quase no fim por causa de uma proibição mesquinha e injustificável.

Outro ponto também relacionado à biblioteca é o acervo quase inexistente de livros para os cursos de Jornalismo e Publicidade. Claro, eu deveria me focar também nestes volumes, mas há pouco mais de uma estante deles, os quais já li os que tinham alguma informação que não fosse acessível em qualquer conversa de mesa de bar. Nosso acervo, infelizmente, é fraquíssimo e, ao invés de a instituição renovar nossa coleção, sobretudo pelo fato de se tratar de um curso cuja pauta se altera completamente em curtos espaços de tempo, tivemos a agradável surpresa em ver prateleiras inteiras atulhadas de livros dos novos cursos, alguns dos quais ainda nem foram formadas turmas para este semestre. Quando há alguma renovação, elas sempre se concentram nos cursos de Direito e Administração, as meninas dos olhos da faculdade. E então, me pergunto: qual é a vantagem destes cursos sobre o nosso? Ou o problema concentra-se na gestão incompetente?

Não somente incompetente como também irresponsável. A Faculdade é a única que conheço que mescla calouros e alunos do segundo termo numa mesma turma, fazendo com que os primeiros sejam infinitamente menos favorecidos que os segundos, uma vez que foram privados de todas as disciplinas introdutórias do primeiro termo e entraram numa turma com avanços significativos nas matérias. Ou seja: pegaram o “bonde andando” e deverão apresentar os mesmos índices de rendimento dos alunos com base formada. Mais do que uma questão de irresponsabilidade e incompetência, é uma atitude injusta. Embora eu esteja cursando o 5º período, sinto-me terrivelmente afrontado com essa decisão da Faculdade, que também atingiu aos outros cursos. E, como se não bastasse, depois de quatro anos de estudos, os alunos recém-admitidos na instituição deverão cursar as disciplinas introdutórias, se quiserem se formar. Metaforicamente, é como se alguém construísse um edifício começando pelo terraço. Nada se firma, tampouco se mantém firme, sem os alicerces, fato negligenciado pela “Faculdade do Futuro”.

Quanto à infraestrutura, creio eu que não sejamos suficientemente dignos de salas sem mofo ou infiltrações, de computadores que suportem nossas ferramentas de trabalho ou mesmo das próprias ferramentas de trabalho. Talvez assim possamos justificar o não-atendimento das nossas reivindicações. Primeiramente, fomos atirados ao Bloco D, enquanto destruíam nosso antigo bloco para a construção de inúmeros laboratórios, que não são utilizados. Alguns sequer, nem têm turma formada do respectivo curso. O acesso ao laboratório de fotografia, que já era raro, tornou-se inexistente. O laboratório de TV é acessível a toda a cidade, menos para os alunos. O laboratório de radiojornalismo é uma ameaça à saúde de qualquer pessoa que tenha bons pulmões. Todas as salas estão tomadas por mofo e infiltrações, algumas estão os tijolos a vista e outras já quase não têm mais piso. Os laboratórios de informática são equipados com computadores que mal suportam abrir um editor de texto e, cada um pior que o outro. Também não podemos editar quaisquer trabalhos acadêmicos nas máquinas, pois pen drives, disquetes, e-mails são infestados por centenas de vírus que se espalham pela rede. Quando necessitamos de usar o referido laboratório para algum trabalho delegado pelo professor, perdemos todo o horário de aula, pois a internet também não funciona. As aulas que, então, deveriam ser ministradas em 50% de conteúdo teórico e 50% de conteúdo prático, tornam-se apenas um estratagema para atrair prováveis alunos, cruelmente ludibriados por eventos medíocres como este “Mundo Mix de Profissões”, que passa uma imagem absolutamente falsa sobre a realidade da instituição. O que vemos, são meras (e falsas) representações, afirmações hipócritas sobre a qualidade e a tradição de uma das piores instituições de ensino superior que já se instalaram em Divinópolis.

Desde a transição FADOM – Pitágoras (a qual um colega de classe chama pertinentemente de Shitágoras, onde “Shit” é um termo de fácil tradução), foram várias as insatisfações que tivemos, a começar pela demissão de professores altamente conceituados e a substituição por profissionais recém-formados, incapazes de nos fornecer sequer uma informação útil sobre a vivência cotidiana no mercado de trabalho. Professores que mal concluíram a graduação e estão engatilhando um mestrado, que não trabalham na área, não têm bagagem de conhecimento satisfatória e lecionam como se estivessem numa turma de quarta série. Professores despreparados para substituir aqueles com salário elevado. Entretanto, a redução de custos não atingiu nossas mensalidades. Ao contrário! Tivemos um aumento exorbitante para as faturas do ano corrente, sendo que, muita gente que contava com os descontos concedidos pela FADOM teve que trancar a matrícula, porque até os descontos foram cortados, prevalecendo somente o majoritário. Tudo isso, sem enumerar os que deixaram a instituição e deram continuidade aos estudos em outra escola, afirmando que “já que é pra pagar caro, pago numa faculdade que tenha pelo menos uma câmera que a gente possa usar.” Antes, tínhamos pelo menos duas salas de projeções que poderíamos utilizar para nosso curso. Hoje, professores têm que levar seus próprios equipamentos para a sala de aula, devido à dificuldade em agendar as salas de projeção dos outros blocos. E, coincidentemente, são justamente os alunos do curso de Comunicação os que têm mais dificuldade para usar as salas.

No que se diz respeito a eventos, simpósios, seminários e concursos, também nós somos os menos favorecidos. Não tomamos conhecimento de absolutamente nada relacionado à nossa área e, por consequência, nossa formação é muito inferior ao básico que deveria ser fornecido. Faltam divulgações, faltam incentivos, falta uma faculdade de verdade. Nossa única oportunidade de fazer trabalhos que mereçam o reconhecimento da instituição, também foi obliterada pela nova gestão, que decidiu acabar com a Semana da Comunicação.

Além disso, entra também, no espectro de assuntos revoltantes, a ridícula disciplina de “Atividades Complementares” que se arrasta desde o primeiro período e permanece até o oitavo, sendo que em nenhuma outra instituição essa disciplina é presente. “É para substituir as horas de estágio obrigatório” – vocês dizem. E o que vai substituir as disciplinas que estariam no lugar destas atividades? Talvez, depois do curso, possamos fazer as disciplinas introdutórias com os atuais “calouros do segundo termo.” Não fosse a professora Silvana (a qual agradeço pelo excelente trabalho desenvolvido, mesmo em condições precárias) as atividades seriam um verdadeiro fracasso.

Dizem que não se costuma mexer em time que está ganhando. E, desde a vinda do Pitágoras, o time está perdendo por WO. Até quando nós seremos obrigados a aturar esta situação? Até quando estaremos sujeitos a um curso que nos fará apenas indivíduos com curso superior, no lugar de profissionais? Ano que vem, nos formaremos. E eu, em nome da turma, não quero que sejamos apenas “mais uns” no mercado. E apesar do pouco tempo de permanência na faculdade, não posso admitir que essa situação se repita com os outros alunos. Isso é inadmissível. E, além do mais, boa parte da turma ainda pensa numa pós-graduação. E aí?

Espero que possamos encontrar soluções o mais rápido possível para estes problemas.

P.S.: Quero agradecer aos nossos professores, que mesmo com a péssima estrutura da qual dispomos, conseguem desenvolver um bom trabalho e preocupam-se com nossa formação, exatamente como a gestão deveria fazer e não faz.

“O futuro é logo aqui.”

Obrigado;

João Paulo Valério

1 Comentário

  • Caro João,

    Sinto por suas indignações. Realmente, acho uma pena não poder contar com as pessoas que estão exatamente ali para fornecer qualquer tipo de auxílio necessário, principalmente, quando são as pessoas responsáveis pela direção e administração do local.
    Permita-me ir diretamente ao assunto:
    Pretendo tentar o vestibular agora, no fim de 2009 e gostaria de sua opinião sobre a faculdade como um todo e também sobre o curso “Nutrição”, o qual pretendo fazer. Você tem conhecimento sobre os outros cursos? Talvez você possa me ajudar nessa questão, por gentileza.
    Agradeço muitíssimo por sua atenção e colaboração;
    Atenciosamente,
    Rafaelle Rossi.


Deixe uma resposta